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Vítimas de chacina na Gleba C morreram após voltar para buscar motos, diz parente

Por Correio da Bahia

Alcimar Leonel, Ítalo José, Roberto Marcelo e Jailton Ferreira foram mortos a tiros (Foto: Reprodução | Marina Silva | CORREIO)

Os corpos dos quatro jovens vítimas de uma chacina em Camaçari, na tarde deste domingo (1º), foram liberados pelo Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML), em Salvador, nesta segunda-feira (2). Sob forte comoção de parentes e amigos, três deles foram enterrados no cemitério Jardim da Eternidade, na cidade da Região Metropolitana de Salvador.

“Tô doido pra saber o motivo. Queremos que a justiça seja feita”, desabafou Tércio Andrade, 39 anos, tio de Rodrigo Marcelo Silva de Oliveira, 19, um dos mortos durante uma festa de paredão, logo após um ‘baba de saia’ no bairro Gleba C.

Os corpos de Alcimar Leonel Vila Nova, 28, Ítalo José Azevedo, 22, Jailson Ferreira dos Santos Júnior, 17, foram sepultados durante a tarde. Já o de Rodrigo será enterrado na manhã desta terça (3), no mesmo local.

“Eu não era tão próximo dele. Trabalho muito, mas ele era um menino bom, inteligente, tinha carteira assinada. Agora é Deus confortar o coração e orar por ele”, comentou Tércio, enquanto ainda aguardava o corpo do sobrinho ser liberado no IML. A funerária em que ele trabalha ficou responsável por levar o corpo ao cemitério.

Escaparam e voltaram

A dona de casa Tartaralaise Ferreira da Silva, 26, prima de Jailson, diz que ele era tranquilo, apesar de andar com más companhias. “A família sempre tentava separar ele do Alcimar, mas ele continuou. Começou a se tatuar igual a ele…”, contou.

Ela ainda lembrou com dor do momento em que ele poderia ter se salvado.

“Disseram que eles dois [Jailson e Alcimar] ainda conseguiram fugir do local, mas depois voltaram pra buscar as motos. Aí eles [assassinos] viram e atiraram neles”, contou.

O crime

A chacina aconteceu após o tradicional baba de saia da Gleba C. Os moradores promoveram uma festa no estilo paredão, na Rua Acajutiba, principal do bairro, quando foram surpreendidos por homens encapuzados, que chegaram ao local em um veículo atirando.

Parentes e amigos de vítimas aguardam remoção de corpos após crime (Foto: Marina Silva | Arquivo CORREIO)

Segundo a polícia, os autores do crime realizaram poucos disparos. Cada vítima foi atingida por um ou dois tiros, de acordo com o delegado adjunto Flávio Pinheiro, do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom). O crime ocorreu por volta das 13h de domingo.

A suspeita é que os quatro mortos tinham envolvimento com tráfico de drogas, segundo o delegado. A desconfiança se deu em função de tatuagens usadas pelas vítimas, que teriam elo com facções criminosas.