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Uber diz que projeto de ACM Neto é “inconstitucional” e tem “regras ultrapassadas”


Por: Henrique Brinco | BNews

A Uber se manifestou ao BNews sobre o polêmico Projeto de Lei enviado pelo prefeito ACM Neto (DEM) à Câmara Municipal visando limitar o número de veículos cadastrados em aplicativos de transporte e cobrar taxas sobre as empresas. A empresa argumenta que a iniciativa é “inconstitucional” e tem “regras ultrapassadas”.

“O Projeto de Lei 258/2018 inviabiliza o modelo de negócio do transporte por aplicativos em Salvador. É uma ameaça às oportunidades de geração de renda de milhares de pessoas e vai na contramão de uma cidade que se pretenda moderna e inclusiva”, declara a empresa em nota enviada ao BNews.

Ainda segundo a Uber, “a imposição de um limite artificial à quantidade de motoristas é inconstitucional e contrária à Política Nacional de Mobilidade Urbana. O Projeto ainda apresenta uma série de outras restrições e burocracias que tentam encaixar um modelo inovador em regras ultrapassadas”. “A Uber segue à disposição do Poder Público para discutir como é possível usar a tecnologia para o bem da cidade”, finaliza o texto.

Entenda o caso
O chefe do executivo quer que a gestão municipal receba 1% do valor recebido pela empresa responsável pelo aplicativo, além de limitar o número de veículos em circulação em 7,2 mil (três por automóvel cadastrado). Estimativas não oficiais dão conta de que a cidade tenha mais de 20 mil profissionais cadastrados.

“Na prática o serviço de transporte individual de passageiros através de aplicativos já vem sendo explorado em grande parte dos Municípios do país, inclusive sob a tutela de medidas judiciais, o que somente reforça a necessidade de sua regulamentação para que seja conferida maior segurança tanto ao usuário, quanto ao prestador do serviço”, argumenta Neto na mensagem enviada para a Casa legislativa.

No documento, também é explicado o motivo da cobrança da taxa. “Pela utilização intensiva da infraestrutura viária do Município do Salvador para exploração econômica da atividade do STIP, será cobrado o percentual correspondente a 1,0% (um por cento) do valor recebido pela empresa Operadora por cada deslocamento (viagem) iniciada no território municipal”.

“Fica estabelecido para a exploração do STIP o número máximo de 7.200 (sete mil e duzentos) veículos no Município de Salvador, cabendo para cada veículo cadastrado o limite máximo de 03 (três) prestadores”, declara em outro trecho.

O titular da Secretaria Municipal de Mobilidade, Fábio Mota, minimizou em entrevista ao BNews as críticas contra o Projeto de Lei. Segundo ele, “a questão da limitação é para criar as mesmas regras que o táxi”. “Ou seja, se você tem 7200 táxis, você tem que ter 7200 aplicativos. O projeto foi nesse intuito aí, para balizar um lado e o outro”, explica.

O secretário informa que o projeto é parecido com o que está sendo discutido nos Estados Unidos. “Nova York acabou de fazer isso agora. Quando a gente concluiu o projeto, Nova York fez. Se você não limita, perde o controle. Se você perde o controle, além de você desbalancear a questão do Uber com o táxi, você ainda cria um problema e perde o controle da mobilidade como um todo”.

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