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Traficantes evangélicos expulsam mães e filhos de santo de favelas no Rio de Janeiro

Até o momento, dez terreiros que funcionavam no local já deixaram de existir

Mães e filhos de santos foram expulsos de favelas no Rio de Janeiro por traficantes que frequentam igrejas evangélicas por não tolerarem a “macumba”. Segundo a reportagem do jornal Extra, divulgada nesta quarta-feira (4), terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidas na região conhecida como Morro do Amor, no Complexo do Lins.

Por conta da proibição, uma mãe de santo que não se identificou, saia da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns e com o vestido branco na bolsa. Certo dia, por um descuido, ela deixou a “roupa de santo” no varal. Uma semana depois ela foi expulsa da favela pelos bandidos, para não mais voltar. “Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino – conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste”, explicou durante reportagem.

Traficantes evangélicos expulsam mães e filhos de santo de favelas no Rio de Janeiro

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Segundo a Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita, pelo menos 40 pais e mães de santo já foram expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Já em outras favelas da cidade, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com a reportagem, todos os quatro pais de santo ouvidos pelo jornal, alegaram que o motivo era sempre o mesmo: conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.

Um dos mais conhecidos do Morro do Dendê, também no Rio de Janeiro, o chefe do tráfico Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, passeia pela favela com tatuagens com o nome de Jesus Cristo e têm bíblias espalhadas pela casa. Segundo moradores, enquanto o morro for dominado por ele, os muros da favela serão preenchidos por dizeres bíblicos e os dez terreiros que funcionavam no local já deixaram de existir.

A Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo desde novembro de 2008. Com isso, qualquer ação como essa, o acusado por pegar de um a três anos de detenção. O caso aconteceu em 2013 e até agora ninguém foi preso.

Fonte: iBahia