Início Destaque Promoção forçada: violência em bairro de Salvador faz preço de imóveis despencar

Promoção forçada: violência em bairro de Salvador faz preço de imóveis despencar

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(Bruno Wendel/CORREIO)

As consequências da violência em Jardim Santo Inácio vão além do risco iminente de morte. Por causa da disputa entre facções, imóveis acabaram sendo desvalorizados e compradores abandonaram o local. Quando uma venda é realizada, a casa é negociada pela metade do valor de mercado.

Um outro problema apontado pelos moradores é o fato de motoristas de aplicativo recusarem corridas para o bairro. Eles relatam ainda que por causa da violência houve uma queda no comércio.

Nesta quinta-feira (19), o Jardim Santo Inácio viveu momentos de terror, quando cerca de 40 homens efetuaram mais de 300 disparos no final de linha. Eles saíram da localidade conhecida como Larguinho, na Mata Escura, e foram rumo ao bairro. No trajeto, o grupo, armado de fuzis, metralhadoras, pistolas, saiu atirando aleatoriamente, atingindo seis carros e diversas casas. No final de linha, eles usaram um coquetel molotov para incendiar uma carreta.

“São situações assim que prejudicam toda a comunidade. O Jardim Santo Inácio vive, hoje, uma desvalorização imobiliária. Casas que antes eram vendidas por até R$ 130 mil estão sendo negociadas por R$ 70, até R$ 50 mil. As pessoas, quando tomam conhecimento da situação, nem aqui chegam. As outras, atraídas pelo preço bom, acabam alertadas pelos próprios moradores”, explicou um homem que mora na localidade.

Ele citou como exemplo o anúncio da venda de uma casa fixado no muro da Escola Municipal Jardim Santo Inácio, no final de linha. O cartaz anuncia o imóvel de dois quartos, “pronto para morar”, por R$ 60 mil. “Essa casa vale R$ 130 mil. É grande, tem quintal, dois andares, laje, garagem, toda gradeada e com pisos. O dono é meu vizinho e está há um ano pelejando para alguém comprar, e nada. E ele não é o único nesta situação. São pessoas que estão no prejuízo”, contou.

Imóveis desvalorizados estão sendo vendidos até pela metade do preço (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

O morador contou que essa desvalorização começou há dois anos. “Quando o metrô veio para as bandas de cá, os imóveis tiveram um acréscimo de 40%. Mas, há dois anos, quando essa guerra começou, os preços caíram muito. Para se ter ideia, na minha rua existem várias casas que estão fechadas há mais de um ano à espera de um comprador. As pessoas não querem nem para alugar”, disse ele.

O serviço de motorista de aplicativo tem sido um outro problema para quem mora no Jardim Santo Inácio. “Você tem que chamar 10 carros e torcer para vir um, porque nenhum deles que vir para cá. A gente tem que ficar quase duas horas tentando até que um dele aceite a corrida. Se a solicitação for depois das 18h, aí que eles não vêm mesmo”, disse uma moradora.

De acordo com ela, os poucos motoristas que aceitam as corridas, mesmo durante o dia, fazem exigências: “ Quando a gente entra, eles avisam logo: ‘só vou até o final de linha’. Às vezes, só querem ir até a UPA. Antes, não havia problema. Todos eles deixavam a gente perto de casa. Mas, com tudo isso que está acontecendo, não tiro a razão deles, afinal, eles também têm família. A culpa é dos bandidos e da falta de policiamento permanente”, disse.

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O comércio local também vem sofrendo com os efeitos da violência. “A partir das 20h isso aqui fica um deserto. Os bares, restaurantes, mercados, padarias, fica tudo de porta fechada. As vendas caíram bastante porque ninguém está saindo à noite, nem nos finais de semana. Nem os ambulantes estão vindo para a praça. Antes tinha aqui o pessoal que vendia cachorro-quente, pastel, churros, acarajé. Hoje, um ou outro se arrisca a montar sua barraca. Mas, quando chega às 17h, desmonta tudo e vai embora. Isso aqui virou um mausoléu”, relatou uma comerciante.

Pânico
A disputa pelo tráfico de drogas levou o pânico ao bairro de Jardim Santo Inácio. Durante um intenso tiroteio, balas atingiram carros que estavam estacionados nas ruas e também as fachadas de várias casas. Uma carreta também foi incendiada. Segundo moradores, os bandidos jogaram um coquetel molotov no veículo. A própria comunidade tentou debelar o fogo, usando um extintor e, posteriormente acionou o Corpo de Bombeiros.

Bandidos atiraram e atingiram carros e casas de moradores (Foto:Arisson Marinho/CORREIO)

A ação dos bandidos começou por volta das 23h30 e durou cerca de 40 minutos, segundo relatos de moradores. Um grupo da facção Bonde do Maluco (BDM) subiu fortemente armado que tentou atacar a localidade comandada pelo Comando da Paz (CP).

Foram cerca de 40 homens que passaram pelas ruas Manuele e Sapucaia, tomando toda a área do final de linha do bairro. Os disparos foram aleatórios, atingindo seis carros e as residências. Moradores contaram ainda que os homens provocavam os rivais, gritando: “aqui é o bonde”.

Uma moradora acendeu a luz para ver o que estava acontecendo na rua e teve a casa metralhada pelos bandidos. O tiro atravessou a janela e a parede da casa, que fica na Rua Ataúlfo Alves.

Policiamento
O policiamento foi reforçado na área, e um helicóptero faz rondas na região, mas o clima de medo continua predominando no bairro. “Estava em casa quando os disparos aconteceram. Por sorte, ontem fui liberado mais cedo do trabalho. Se fosse num dia normal, poderia ter sido morto, porque eles subiram no mesmo horário que habitualmente chego em casa. Não sei como será hoje, porque vou trabalhar normalmente”, disse um motoboy que trabalha como entregador de delivery de um restaurante do bairro.

O policiamento no bairro foi reforçado na manhã desta sexta-feira (20) (Foto:Arisson Marinho/CORREIO)

Em nota, a Polícia Militar informou que equipes da 48ª CIPM foram acionadas pelo Cicom, por volta das 23h de quinta-feira (19), após denúncia de que vários homens realizavam disparos de arma de fogo, no final de linha do bairro. No local, os policiais militares encontraram os carros já alvejados e um veículo incendiado. Os militares orientaram o proprietário do veículo a registrar a ocorrência na Delegacia da área.

Os policiais da unidade, com o apoio da Rondesp Central realizaram rondas e incursões no local, mas os autores não foram localizados. O policiamento segue reforçado na localidade com o emprego de guarnições do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) da unidade, com o apoio da Rondesp Central.

Com informações do Correio da Bahia