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‘Por que não deu minha neta pra eu criar?’, lamenta avó de menina morta em Camaçari

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Em passos lentos, parentes e amigos seguiam o cortejo guiado pela funerária. Em cima do pequeno caixão branco, duas bonecas, as preferidas da estudante Bruna Cruz, 9 anos. “Eu não vou mais brincar com a minha neta. Por que mataram ela, meu Deus?”, questionava, repetidamente e em prantos, a avó paterna da menina, Lucinéia Reis da Cruz, na entrada do Cemitério Jardim da Esperança, em Camaçari, onde o corpo da menina foi enterrado na manhã desta sexta-feira (29).

Bruna foi morta a tiros na quarta-feira (27) após sair da escola. Ela estava dentro de um GM Corsa prata que foi atingido por pelo menos 13 disparos por desconhecidos que estavam em um outro carro. O namorado da mãe dela, Deivid Demérito, 19, estava ao volante e também morreu.

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A mãe da menina, de prenome Jamile, e o cunhado dela, que não teve o nome revelado e também estava no carro, conseguiram fugir. Eles não foram localizados pela polícia para prestar esclarecimentos. Ainda segundo a polícia, com exceção de Bruna, os demais ocupantes do GM Corsa têm envolvimento com tráfico de drogas em Camaçari. Deivid ainda respondia por homicídios na cidade.

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Criança estava no banco de trás quando foi atingida; outra vítima dirigia veículo (Foto: Reprodução)

Enterro
O enterro de Bruna estava marcado para as 10h, mas foi realizado uma hora e meia depois e com participação de pouco mais de 150 pessoas. Além da dor, o sepultamento foi marcado pela revolta. A mãe de Bruna, Jamile, não compareceu.

“Por que ela não me deu minha neta para eu criar? Deixava ela comigo. Ela estaria segura”, declarou Lucineia. A todo momento, ela era amparada por amigos e parentes e na maioria das vezes segurava as bonecas da neta.

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(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

A prima de Bruna, Marcela Reis, chegou a passar mal. “Ela (Jamile) andava com um cara que não prestava e levava a menina junto. Bruna era uma menina muito doce, educada, não merecia isso”, declarou o tio da menina Diego Reis.

“Se ela aparecesse aqui, com certeza iríamos entregá-la à polícia. Por causa dela estou aqui, arrasada pela nossa pequena. Vim aqui há três meses para o enterro do meu sobrinho e agora estou aqui novamente”, disse a tia de Bruna, Cátia dos Reis, que lembrou Jailton Silva da Cruz Júnior, pai de Bruna, assassinado em dezembro do ano passado, também em Camaçari.

Escola
Bruna era aluna do 4º ano do ensino fundamental do Centro Educacional Carpe Diem, no bairro do Gleba E. Uma coroa de flores em nome dos alunos e funcionários da escola foi deixada sobre o caixão. “Bruna era muito alegre, cheia de vida, dedicada aos estudos, se dava muito bem com os colegas. Todos da escola estão abalados. Era uma menina que era conhecida pela gentileza”, declarou a diretora da escola, Eliane Souza.

Na quinta-feira (28), dia anterior à morte da menina, a escola não funcionou. Mas hoje houve aula normalmente. “Chegamos até saber se algum aluno queria vir, mas todos preferiram orar por ela. Eles estão bastante arrasados com tudo isso”, disse a diretora.

Silêncio
Morto junto com Bruna, o corpo de Deivid Demétrio dos Santos, 19, foi enterrado por volta das 10h no mesmo cemitério. O pai dele, Joilson não quis dar entrevistas, assim como os demais presentes.

Na quinta-feira, Joilson disse que nada sabia do crime. “No momento, não tenho o que dizer. Ele era o meu filho caçula de dois e namorava com ela (Jamile) há uns três meses”, declarou. Também no mesmo dia, ele comentou sobre ao fato de o filho ter passagem na polícia. “Não tenho o que falar. Tenho minha consciência limpa. Jogo tudo isso na mão de Deus”.

Por Correio da Bahia