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Policiais suspeitos de invadir assentamento em Catu de Abrantes são identificados e presos

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Na madrugada de sábado do último dia 20, cerca de 30 homens encapuzados invadiram o assentamento Tererê, localizado em Catu de Abrantes, no município de Camaçari e, com o auxílio de um trator, em torno de 12 casas foram derrubadas ou mesmo incendiadas pelos envolvidos.

Durante a investigação, cinco policiais militares foram declarados suspeitos de envolvimento na destruição das casas, sendo eles os sargentos Antônio Carlos de Jesus Chagas, Marco Aurélio Conceição Nascimento, e Paulo César Santos de Sousa. O cabo Marcos Silva dos Santos, e o soldado Juvenal Silva de Oliveira. Todos valeram-se do direito de permanecerem calados durante os depoimentos à Polícia Civil.

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Outros suspeitos também foram identificados e prestaram depoimento, no entanto, apresentaram versões diferentes da dos moradores sobre o ocorrido. Todos os envolvidos alegaram terem sido contratados para fazer a limpeza do terreno, e que receberiam R$ 200 pelo serviço.

Uma questão crucial na investigação é a presença de moradores na localidade. Todos os suspeitos informaram que não havia ocupantes no terreno, versão contestada nos depoimentos de diversas famílias.

Um dos moradores contou que dormia quando acordou com o barulho de um trator. Abruptamente correu pelo fundo da casa com medo de morrer, e, em seguida, entrou na mata, e ouviu vários tiros e pessoas gritando: “sai, sai, vou matar“.

Quanto aos incêndios denunciados pelos moradores, há também convergência nos relatos. Um dos acusados nega a queima dos barracos, além de afirmar não ter visto ninguém fazer isso. Já outro suspeito admitiu ter derrubado quatro barracos, e que o material foi queimado posteriormente.

Outro ponto conflitante entre os depoimentos dos suspeitos é sobre o roubo de bens dos moradores. Um deles disse que não pegou nenhum material, e que não viu ninguém pegar. A maior parte dos acusados negou os furtos denunciados, apenas um homem afirmou ter pegado um aspirador de pó e um peso de malhar. Ele diz que colocou os equipamentos em um carro para levar para casa. Ainda no depoimento, o homem diz que decidiu levar os equipamentos porque não havia ninguém no local.

Entre os ouvidos nos depoimentos está Ezequiel Barbosa Ribeiro, um dos suspeitos. A maioria dos presos diz que foi contratada por Ezequiel para fazer a limpeza do terreno. Ezequiel admitiu que fez esse recrutamento, e afirmou que trabalha como vigilante das terras.

Afirmou também ter transportado o grupo para fazer a limpeza do terreno, e que o dono do local seria um homem chamado Paulo Sérgio, mas que não sabe onde e como ele pode ser encontrado. Ezequiel ainda disse que foi contratado por um homem chamado Walace, mas que também não sabe dizer onde e como ele pode ser encontrado. Ezequiel disse que sempre vigiou terrenos para Wallace.

Ainda segundo ele, o serviço foi executado à noite porque durante o dia os moradores impedem a limpeza, alegando que se trata de um terreno pertencente a eles. Ezequiel também afirmou também que não há casas no terreno, apenas marcações para futuras invasões, e a ação foi para prevenir essas invasões.

Sobre os PMs presos, o homem acusado de recrutar a maior parte do grupo disse que não conhecer os militares, mas afirmou que os policiais estavam com um homem chamado Neudimar, que seria sócio do homem identificado como Wallace.

A defesa das vítimas acredita que as terras são alvo de grileiros, que querem as terras para obter lucros com a especulação imobiliária. A Polícia Civil e o Ministério Público pediram que as prisões em flagrante dos policiais fossem convertidas em preventivas, mas o pedido foi negado na quarta-feira pela Justiça.

Sobre as demais denúncias, o juiz também considerou que não houve por parte das testemunhas ouvidas, nem das vítimas, a individualização das condutas de cada um dos presos. Por conta disso, além de não homologar as prisões em flagrante dos 5 policiais, o juiz decidiu pela soltura dos demais suspeitos presos no caso. Todos estão em liberdade, mas as investigações seguem na delegacia de Abrantes.

Após o ocorrido, cerca de seis moradores estão dormindo de maneira improvisada, em uma casa que foi construída pra ser a sede da Associação dos Moradoras do Tereré. O imóvel tem apenas um cômodo, não tem água, nem onde cozinhar.

“Todos nós estamos com medo. Não sabemos qual a índole deles depois dessa situação e, desde o ocorrido, tivemos que sair do local“, disse um morador que não quis se identificar.

Fonte: G1