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‘Meu filho levou bala na cama do hospital’, diz mãe de suspeito de assalto a pedágio

Por iBahia

Kelvisson Martins de Souza, 18 anos, foi executado dentro do Hospital Municipal Ouro Negro, em Candeais (Foto: Reprodução)

Ainda trêmula, a dona de casa conta o que ela mesma denomina como a pior cena de sua vida: ver o filho, Kelvisson Martins de Souza, 18 anos, ser executado dentro do Hospital Municipal Ouro Negro, em Candeais, Região Metropolitana de Salvador. “Ele levou bala em cima da cama do hospital”, contou ao CORREIO, após ser ouvida na 20ª Delegacia (Candeias), na manhã desta quinta-feira (29). O CORREIO não vai divulgar o nome da mulher.

O rapaz é suspeito de participar, na noite desta quarta-feira (28), do assalto a uma praça de pedágio na cidade – na ação criminosa, um policial militar foi baleado na cabeça e um motorista que passava pelo local morreu atropelado por bandidos em fuga.

Três criminosos estão envolvidos no roubo a motoristas e cabines no Km 11 da rodovia Canal de Tráfego, ocorrido pouco antes das 20h desta quarta.

Kelvisson foi socorrido e estava custodiado no hospital, onde deu entrada com um ferimento de bala no braço. Ele foi executado na unidade de saúde quando os PMs que faziam a custódia no local deixaram o posto – segundo a corporação, a equipe saiu para auxiliar outros colegas.

Segundo testemunhas, quatro homens encapuzados invadiram o local e executaram o rapaz ainda na maca.

Abalada e amendrontada, a mãe de Kelvisson disse que tudo foi rápido. Por volta das 2h, dois policiais militares estavam na porta do hospital – eles foram designados pelo comando da 10ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Candeias) para garantir a custódia do suspeito.

Algemado à maca, o rapaz estava à espera da regulação para ser transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador.

“Um deles [dos PMs] já me dizia tanta coisa ruim, palavras que me machucavam em relação ao meu filho”, contou ela, que estava também na porta do hospital próximo aos policiais.

Ela contou que num determinado momento, um dos policiais militares atendeu uma ligação no celular e, instantes depois, chamou o outro policial e os dois saíram da entrada do hospital. Então, ela entrou para ver o filho.

“Perguntei a ele: ‘meu filho, o que foi isso? O que aconteceu com você pra ficar assim desse jeito?’. Ele olhou pra mim e disse: ‘mãe, estava no posto de lavagem e só lembro que levei um tiro e mais nada'”, contou ela.

A mulher disse que ficou cerca de três minutos conversando com o filho, quando quatro homens chegaram armados e encapuzados – um dos criminosos apontou a arma para ela e disse: “sai, sai”. A mulher contou que se jogou numa sala ao lado e, em seguida, escutou os disparos.

“Não pude ajudar meu filho, não pude. Até tentei, mas uma moça me segurou para eu não morrer também”, relatou, em prantos.

O CORREIO conversou com a delegada Maria das Graças Barreiros, titular em exercício da 20ª Delegacia. “Inicialmente, estamos apurando a morte do rapaz como queima de arquivo”, declarou. Ela deu as características dos suspeitos: “Usavam botinas e coletes à prova de balas, mas não posso dar mais detalhes da investigação”. Ainda conforme a delegada, Kelvisson não tinha passagem por outros crimes.

De acordo com informações da ocorrência policial, o suspeito executado havia sido deixado no hospital por dois homens num carro prata, que em seguida fugiram em disparada.

O CORREIO esteve no Hospital Municipal Ouro Negro, mas uma funcionária disse que as informações sobre o episódio serão passadas pelas polícias Civil e Militar. Na unidade há duas entradas e ambas com câmeras. No entanto, funcionários, que também não quiseram falar sobre o fato, disseram apenas que os equipamentos estão quebrados.

Procurada, a Prefeitura de Candeias informou que a segurança do hospital é feita por dois vigilantes municipais. Antes do crime, segundo a prefeitura local, vigilantes, médicos e enfermeiros da unidade médica foram obrigados a informar onde a vítima estava.

Durante a situação, os funcionários foram orientados a ficar dentro de uma sala. O local onde aconteceu o crime já foi periciado e o hospital funciona normalmente. A administração do Ouro Negro é feita por um interventor judicial nomeado pela Justiça Federal em julho de 2016.

A morte de Kelvisson não é a única aflição da mulher. O outro filho dela, Kelsili Martins de Souza, permanecia na delegacia no final da manhã, junto com Wesley Mendes de Oliveira. “Eu ainda não sei o que vão fazer com ele”, disse aflita. O CORREIO apurou que Kelsili foi ouvido e liberado, assim como Wesley.

Segundo a polícia, Kelsili e Wesley estavam na porta do hospital quando foram abordados por PMs que foram até o local para averiguar a informação de que um homem baleado (Kelvisson) tinha acabado de dar entrada na unidade médica após o assalto no pedágio.

Durante a abordagem, Wesley recebeu uma ligação de um rapaz chamado Júnior, que contou a ele ter participado do assalto. Wesley e Kelsili então levaram os PMs até um lava a jato na localidade de Posto de Fora, onde Júnior e um outro rapaz, chamado Rafael, atiraram contra a equipe de PMs e fugiram. No local, foram encontrados pertences das vítimas roubadas no pedágio.

Em seguida, a equipe pediu apoio e outras duas viaturas foram até um determinado ponto, onde novamente entraram em confronto com Júnior, que escapou mais uma vez. Na casa de Júnior, os policiais encontraram duas motos, provavelmente usadas no assalto. Não há informações sobre o paradeiro deste suspeito.