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Médico é preso suspeito de dopar e estuprar jovem dentro de sua casa

Jovem apresentou sangramentos, lesões e dores durante quatro dias após o estupro

Médico e estudante combinaram de levar drogas para festa Foto: Reprodução

Agência O Globo

Policiais civis da 106ª DP (Itaipava) prenderam na noite desta segunda-feira um médico residente de ortopedia suspeito de dopar e estuprar uma jovem após uma festa em Petrópolis, na Região Serrana do estado. Um estudante de medicina também foi preso, suspeito de envolvimento no crime.

O caso ocorreu no dia 31 de agosto, após uma festa em que estudantes comemoravam os 100 dias da faculdade de medicina. O médico convidou um grupo de amigos para continuar a comemoração na casa dele. No caminho, ele dopou a vítima com uma pílula de ecstasy sem que ela tivesse conhecimento do entorpecente. Ao chegar em casa, ele praticou o ato sexual enquanto a jovem estava desmaiada e inconsciente.

A vítima procurou a polícia 15 dias depois, ainda muito abalada, para denunciar o crime. No Instituto Médico-Legal, o exame de corpo de delito apontou que o ato foi praticado de forma violenta. A jovem apresentou sangramentos, lesões e dores durante quatro dias após o estupro. Policiais encontraram marcas de sangue na cama do médico.

Segundo o inquérito, a droga foi fornecida pelo estudante de medicina. Também foi ele que apresentou a vítima para o médico, de acordo com o depoimento da jovem. No celular do suspeito, a polícia encontrou mensagens que denunciam a premeditação do crime.

— Os autores trocaram mensagens de WhatsApp onde narram que já levariam para a festa ‘MD para dar para mulherada’, o que deixa evidente a intenção de drogar vítimas na festa — conta a delegada titular da 106ª DP, Juliana Ziehe.

Na casa do médico, que fica na Rua Roberto Silveira, em uma região nobre de Petrópolis, agentes encontraram drogas e remédios tarja preta sem receita e sem qualquer indicação de uso, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, em setembro. Na delegacia, o médico caiu em contradição ao se explicar sobre os remédios.

— Ele disse que as anfetaminas tinham sido prescritas pelo neurologista dele, mas não soube informar o nome do médico. Depois disse que os amigos de residência prescreviam os remédios — diz a delegada.

O médico foi preso na noite de segunda-feira, quando chegava em casa. Ele negou que tenha praticado estupro.

— O autor diz que a vítima tomou a droga de forma consciente e que teve relação sexual com ele de forma voluntária. No entanto, confessa que em determinado momento ela teria sentido dor e pedido para ele esperar — diz a delegada.

Já o estudante de medicina foi detido dentro de uma academia. Ele negou qualquer participação no crime e se manteve em silêncio ao ser questionado sobre o fornecimento das drogas.

O médico residente vai responder como autor do estupro de vulnerável e o estudante como partícipe do mesmo crime, que prevê a pena de 8 a 15 anos de prisão. O mandado de prisão temporária foi expedido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Itaipava. Os suspeitos serão transferidos para uma unidade prisional.

De acordo com a delegada, a jovem pode não ter sido a única vítima de estupro.

— Recebemos a denúncia de que pode ter havido outra vítima. Estamos pedindo eventuais vítimas procurem a delegacia, porque esse é um crime que depende de representação.