Início Ciências “Lua de sangue” desta sexta(27) será o eclipse mais longo do século.

“Lua de sangue” desta sexta(27) será o eclipse mais longo do século.

O fenômeno foi apelidado de “lua de sangue” porque a Lua reflete a luz do Sol dispersa na atmosfera terrestre, ganhando uma coloração avermelhada

O mundo conta os dias para testemunhar um dos espetáculos mais fascinantes do ano. Na próxima sexta-feira (27), um fenômeno lunar estará na mira de astrônomos e curiosos: de tom avermelhado, o eclipse conhecido como “lua de sangue” poderá ser visto por uma hora e 43 minutos –o que fez com que ganhasse a explicação de “o mais longo do século”.

Esse eclipse é conhecido como “lua de sangue” porque os raios solares se curvam ao passar pela atmosfera terrestre justamente no momento em que a Lua está na sombra da Terra. “A atmosfera funciona como uma lente que desvia as luzes vermelha e laranja do sol, conferindo a cor avermelhada desse eclipse”, explica o professor de física Daniel Rutkowski, da Eseg (Escola Superior de Engenharia e Gestão). “Se a Terra não tivesse atmosfera, o eclipse ficaria totalmente escuro.”

Esse eclipse vai durar tanto tempo no céu porque vai atravessar a parte mais escura da sombra terrestre, uma região conhecida como Umbra. “Ali é onde não deveria chegar nenhum raio de luz, mas acaba chegando em razão desse desvio da luz provocado pela atmosfera”, explica o físico.

A Lua vai demorar 3 horas e 55 minutos para cruzar toda a sombra da Terra, mas estará visível somente por uma hora e 43 minutos, “o mais longo eclipse do século 21”, de acordo com a “Earth Sky”, uma rádio pública do Texas especializada em astronomia. “O fenômeno do dia 27 será visto com maior nitidez entre a África e o oceano Índico”, diz Rutkowski.

Mas quem estiver na Europa, na Austrália e na Nova Zelândia também terá uma visão privilegiada. “Não é em todo lugar do mundo que dá para ver. Quando a Lua nascer aqui no Brasil, ela já estará eclipsada, avermelhada”, explica o físico. Por aqui, o eclipse será observado entre 17h30 e 18h13, horário de Brasília.

O último eclipse lunar ocorreu em 31 de janeiro deste ano e ficou conhecido como “eclipse da superlua azul de sangue”. O fenômeno durou uma hora e 16 minutos.

Interesse aumentou
O físico diz que “a ‘lua de sangue’ é um evento corriqueiro”. “Com a chegada da internet, aumentou o interesse pelo assunto. Na última década, houve uma procura maior por eclipses.”

Ele explica que o termo “lua de sangue” apareceu há cerca 20 anos e que acabou adotado até pelas universidades. “É um termo popular. As faculdades acabam usando para chamar a atenção e conseguir ensinar alguma coisa sobre o assunto.”

Dias depois do eclipse do dia 27, um novo evento chamará a atenção no céu. Marte estará a 57 milhões de quilômetros da Terra, a posição mais próxima do nosso planeta nos últimos 15 anos.

Quer fotografar a “lua de sangue”? Veja dicas
A primeira dica para fotografar a “lua de sangue” é utilizar a maior lente ou o maior zoom possível de sua câmera ou telefone celular. Os profissionais utilizam lentes de 300 mm e 400 mm e ainda podem contar com a ajuda de um duplicador, que diminui ainda mais o ângulo de visão, causando a impressão de maior aproximação.

Você também precisará de um tripé. Lentes longas ou zoom ativado normalmente exigem que a câmera ou o aparelho não sofram nenhum tipo de trepidação ou movimento, por mínimo que seja. Quando isso acontece, a imagem sai borrada e a Lua parece como uma mancha branca na foto. O tripé também ajuda a dar nitidez à fotografia: um pequeno movimento do braço ou um passo para frente ou para trás pode tirar o foco da imagem.

Também é importante medir a luz da maneira mais precisa possível. No enquadramento para fotografar a Lua, temos uma grande parte escura no quadro, e isso, quase sempre, indica às câmeras a necessidade de mais luz. Mas, na verdade, elas não precisam porque a Lua é mais clara que o fundo. Podemos fotografar diversas vezes e perceber em que momento os detalhes da Lua se tornam visíveis.

Uma boa ideia é tentar uma composição com diversos elementos, como edifícios, árvores, estátuas. Eles destacam a proporção e orienta o olhar para a Lua. Mirar o astro entre prédios ou “apoiá-lo” sobre a mão de uma estátua é uma alternativa divertida. *Por UOL