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Justiça manda soltar acusados de matar filho de Cissa Guimarães

Eles haviam sido condenados na √ļltima sexta-feira pela morte de Rafael Mascarenhas, em 2010

Rafael Bussamra (Foto: Reprodução/Globo News)

Rafael Bussamra (Foto: Reprodução/Globo News)

A Justi√ßa do Rio concedeu liberdade nesta quarta-feira (28) aos dois acusados de atropelar e matar Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimar√£es, em 2010. Eles haviam sido condenados na √ļltima sexta-feira.¬†A defesa de Rafael de Souza Bussamra e do seu pai, Roberto Bussamra, conseguiu um habeas corpus para os dois. Eles foram presos no Complexo Penitenci√°rio de Gericin√≥, em Bangu, na Zona Oeste.

Rafael de Souza Bussamra foi condenado a sete anos de pris√£o em regime fechado e mais cinco anos e nove meses em semiaberto por dirigir o carro que atropelou o jovem em uma √°rea fechada para o tr√Ęnsito.

O pai dele, Roberto Bussamra, foi condenado a oito anos em regime fechado e nove meses em semiaberto por pagar R$ 1 mil de propina a dois PMs para desfazer o local do acidente e evitar a pris√£o em flagrante do motorista.

Rafael foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, homicídio culposo, inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico, afastamento do local do acidente para fugir à responsabilidade penal e participação em competição automobilística não autorizada.

Ele teve a carteira de habilitação suspensa por quatro anos e meio. Roberto foi sentenciado pelos crimes de corrupção ativa e inovação artificiosa em caso de acidente automobilístico.

Pena maior para o pai’Eles quebraram a minha fam√≠lia’
Ap√≥s a pris√£o, Cissa Guimar√£es chegou a comemorar com um desabafo ao vivo na no Mais Voc√™. “√Č uma vit√≥ria de todos n√≥s, da sociedade. √Č uma conquista”, disse ela. “Acho que a senten√ßa vale como uma reflex√£o. N√£o existe uma educa√ß√£o de um pai que acoberta o crime de um filho. Isso n√£o √© amor, voc√™ n√£o pode ter um descaso por uma vida humana. Eles quebraram a minha fam√≠lia”, disse Cissa, emocionada.

O pai recebeu uma condena√ß√£o maior do que o filho por tentar corromper policiais para livrar a atitude do filho. ‚ÄúO caso vertente retrata n√£o apenas policiais que acobertam e omitem o crime (sendo, por isso, tamb√©m criminosos), mas tamb√©m os falsos pais que superprotegem os filhos criando pessoas socialmente desajustadas. Imp√Ķe-se uma reflex√£o sobre o tipo de sociedade que pretendemos para as futuras gera√ß√Ķes ou, mais ainda, que tipo de cidad√£os somos. Afinal √© essa uma das dificuldades atuais da humanidade no plano da √©tica. De nada vale o Estado reconhecer a dignidade da pessoa se a conduta de cada indiv√≠duo n√£o se pautar por ela‚ÄĚ, relata o magistrado.

O juiz destaca ainda que a atitude do pai em tentar acobertar o filho levou a uma condena√ß√£o maior. ‚ÄúO que se observa √© um comportamento reprov√°vel e malicioso dos r√©us, que atrav√©s de uma enxurrada de inverdades buscaram n√£o somente eximirem-se da responsabilidade penal, mas na realidade transferi-la com maior peso a outras pessoas. Percebe-se uma verdadeira degrada√ß√£o de valores morais em uma fam√≠lia de classe m√©dia, que talvez por mero individualismo, ou abra√ßando uma cultura brasileira de tolerar exce√ß√Ķes, tende a apontar os erros dos outros, e colocando um verdadeiro v√©u sobre seus erros‚ÄĚ, assinala o juiz.

Correio da Bahia