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Desprezado pelo poder público, Museu Nacional foi enredo da Imperatriz; relembre o desfile

Abre-alas da Imperatriz reproduzia a fachada do Museu Nacional | Alexandre Cassiano/Agência O Globo

POR PEDRO WILLMERSDORF | Blog globo

Símbolo de uma indiferença histórica do poder público brasileiro por seus patrimônios culturais, o Museu Nacional, do ano de seu bicentenário, ganhou uma bela homenagem da Imperatriz Leopoldinense. Um tributo do carnaval, esfera popular de nossa cultura que também padece de carinho por parte de nossos governantes, assim como o universo erudito dos museus.

Fósseis de dinossauros, parte querida do acervo do museu, é representado em uma alegoria | Gabriel de Paiva/Agência O Globo

“Uma noite real no Museu Nacional”: foi este o título do enredo da escola de Ramos, que realizou dois ensaios técnicos na Quinta da Boa Vista, em frente ao prédio homenageado. Durante a preparação para o desfile, que alcançou a 8ª colocação, funcionários e voluntários apaixonados pelo museu participaram da divulgação e montagem da apresentação, que teve a assinatura de Cahê Rodrigues. Muitos deles, inclusive, cruzaram a Sapucaí em alas e alegorias.

Alegorias reproduziam parte do acervo do Museu Nacional | Marcelo Theobald/Agência O Globo
Componentes da Imperatriz posam ao lado de Alex Kellner, diretor do Museu Nacional | Fábio Guimarães/Extra

O samba, de autoria de Jorge Arthur, Maninho do Ponto, Julinho Maestro, Marcio Pessi e Piu das Casinhas, foi um dos mais belos na Avenida este ano. Versos belíssimos conseguiam criar a magia de uma noite em que as peças do museu ganhavam vida: “Bailam meteoros e planetas, dinossauros, borboletas, brilham os cristais”. Em outro trecho, o samba dispara a relevância do palácio: “a obra-prima viu o meu Brasil nascer”. Até Luzia, fóssil mais antigo encontrado na América do Sul e moradora do museu, também é citada na obra.

“Estou destruído”, desabafa carnavalesco

Em seu perfil no Instagram, Cahê Rodrigues demonstrou toda sua tristeza diante da tragédia: “Meu Deus! Que horror! Uma grande parte da história desse país destruída pelo fogo. Estou destruído emocionalmente. Convivi meses ao lado de pessoas apaixonadas por esse museu, pessoas que cuidavam dessa instituição como se fosse sua própria casa”.

Em 2011, quando ainda era carnavalesco da Grande Rio, Cahê teve de enfrentar um incêndio que destruiu praticamente todo seu trabalho para aquele ano, em homenagem à cidade de Florianópolis. Na ocasião, a escola da Baixada desfilou fora de competição, assim como Portela e União da Ilha.

“Pedíamos em nosso desfile que olhassem com mais carinho para o Museu. Meus sentimentos a todos os funcionários, professores, pesquisadores e visitantes apaixonados por essa instituição”, finaliza Cahê em sua mensagem.