Início Brasil Denunciado por Marielle Franco, batalhão do Rio é alvo de 212 inquéritos

Denunciado por Marielle Franco, batalhão do Rio é alvo de 212 inquéritos

Por Correio 24 Horas

O 41¬ļ Batalh√£o de Pol√≠cia Militar do Rio (Iraj√°) – alvo de den√ļncia feita pela vereadora Marielle Franco (PSOL), quatro dias antes de ser assassinada – √© investigado em 212 inqu√©ritos do Minist√©rio P√ļblico Estadual (MPE) do Rio que apuram casos de homic√≠dio. Por esse trabalho, o Grupo de Atua√ß√£o Especializada (Gaesp) em Seguran√ßa P√ļblica do √≥rg√£o j√° denunciou 23 PMs do batalh√£o.

Segundo o Gaesp, as den√ļncias sobre supostos abusos cometidos por PMs da unidade s√£o acompanhadas desde abril de 2016. Os crimes em apura√ß√£o s√£o, na sua maioria, os homic√≠dios decorrentes de interven√ß√£o policial ou autos de resist√™ncia. Ainda segundo o Gaesp, muitos casos s√£o antigos, de dif√≠cil elucida√ß√£o, porque j√° aconteceram h√° muito tempo.
Em alguns casos, peritos respons√°veis pelos primeiros exames j√° deixaram o cargo, o que dificulta a busca por informa√ß√Ķes complementares. Tamb√©m h√° dificuldades para encontrar a fam√≠lia das v√≠timas.

O MPE informou que foi instaurado um procedimento preparat√≥rio para identificar “eventuais falhas ou excessos” e buscar alternativas que diminuam os riscos √† popula√ß√£o e aos pr√≥prios PMs. Questionadas pela reportagem sobre os casos, a Secretaria de Seguran√ßa e a Pol√≠cia Militar n√£o responderam.

Desde 2013, segundo o Instituto de Seguran√ßa P√ļblica do Rio, o 41.¬ļ √© recordista em homic√≠dios cometidos pela pol√≠cia no Estado, entre todos os batalh√Ķes. Nos √ļltimos dez anos, a m√©dia anual na √°rea dos bairros atendidos pela unidade, na zona norte, foi de 57 mortes. De 2008 ao ano passado, o pico foi em 2016, quando come√ßou o trabalho do Gaesp. Foram 92 homic√≠dios, quase o dobro do verificado em 2015 (48). Em 2017, foram 69 registros. O Gaesp tem feito palestras para os PMs para baixar a letalidade nas a√ß√Ķes.

Den√ļncia
Quatro dias antes de ser morta a tiros, no centro do Rio, Marielle publicou nas redes sociais den√ļncia sobre os homic√≠dios de dois homens atribu√≠dos a PMs do 41.¬ļ, no dia 5.

Uma semana antes do assassinato, a reportagem havia pedido posicionamento da PM sobre essa acusação dos moradores. Na ocasião, em nota, a corporação respondeu que o batalhão realizou operação na comunidade no dia. Disse também que os PMs foram recebidos a tiros, mas não informou se a ação resultou em dois mortos.

Segundo a corpora√ß√£o, o 41.¬ļ foi acionado pelo Hospital do Acari, onde uma pessoa morreu ap√≥s ser ferida por arma de fogo. E disse ter sido chamada para outra ocorr√™ncia, de encontro de cad√°ver na Pavuna, ao lado de Acari. Mas n√£o confirmou a autoria das mortes.

√Ä reportagem, moradores contaram que as v√≠timas n√£o tinham envolvimento com bandidos e que seus corpos foram jogados numa vala. Disseram tamb√©m que eles pr√≥prios tiveram de resgatar os cad√°veres. Denunciaram ainda que, por causa da interven√ß√£o na seguran√ßa, policiais do 41.¬ļ BPM t√™m se sentido “livres” para cometer excessos.

PMs desse batalh√£o s√£o acusados ainda de participar da chacina de Costa Barros, h√° dois anos. Na ocasi√£o, cinco jovens foram mortos em um carro, que foi atingido 111 vezes. Outro epis√≥dio violento foi a morte de Maria Eduarda Alves, de 13 anos, alvejada no p√°tio da escola enquanto PMs do 41.¬ļ faziam opera√ß√£o no local, em 2017.

Nesta quarta-feira, 21, o MP refor√ßou com cinco promotores a equipe que apura o caso Marielle, e a Pol√≠cia Civil voltou ao local do crime para esclarecer d√ļvidas.

Rocinha
Um PM e um morador foram mortos na noite desta quarta-feira em troca de tiros entre policiais e criminosos na Favela da Rocinha, na zona sul.