Início Bahia Baianos e turistas lotam santuário em homenagem à Irmã Dulce

Baianos e turistas lotam santuário em homenagem à Irmã Dulce

Há 82 anos a jovem Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, 19 anos, iniciava a vida religiosa. A mulher que ficaria conhecida como o Anjo Bom da Bahia dava os primeiros passos de uma vida de fé e humildade. Nesta quinta-feira (13), devotos de Irmã Dulce lotaram o santuário em homenagem a freira, no Largo de Roma.

No dia 13 de agosto de 1933 Maria Rita herdou o hábito de freira e mudou o nome para Irmã Dulce – em homenagem à mãe. A data foi escolhida como festa litúrgica da beata baiana e atraí milhares de fiéis. Todos os anos, nessa data, são celebradas diversas missas no Santuário de Irmã Dulce, que faz parte das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID).

Dom Murilo Kriger presidiu a missa solene em homenagem à Irmã Dulce, no Santuário do Largo de Roma
(Foto: Marina Silva)

Nesta quinta-feira, as celebrações começaram às 6h30 com a oração das mil Ave Marias. Às 8h foi realizada a missa dos enfermos, seguida da Benção do Santíssimo, às 15h, e uma missa de encerramento será realizada às 17h. A missa solene foi celebrada às 10h e presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger.

“Irmã Dulce nos lembra que a santidade é para as pessoas simples e que aceitam colocar Deus em primeiro lugar. A santidade está muito mais próxima de nós do que nós imaginamos. Podemos aprender com ela a simplicidade, a ver em cada pessoa o rosto de Jesus e a fazer pequenas coisas com os dons que Deus nos dá”, afirmou.

Em uma cadeira de rodas, a idosa Maria Olga da Silva, 86 anos, acompanhou a missa solene do início ao fim. Ela mora no abrigo da OSID e se disse agradecida a freira. “Tenho muita fé nela e agradeço todos os dias.  A missa está linda”, disse.

A assessoria do Santuário não contabilizou quantos fiéis visitaram o espaço nesta quinta-feira, mas informou que grupos de Feira de Santana, São Sebastião do Passé e Fortaleza (CE) participaram das missas.

Imagem e túmulo de Irmã Dulce foram visitados por fiéis baianos e turistas
(Foto: Marina Silva)

Doação de sangue
De acordo com a assessoria da OSID, a Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) da instituição está enfrentando dificuldades por falta de sangue – algumas cirurgias chegaram a ser canceladas por conta do baixo estoque.  Por isso, o Gesto Concreto do Novenário e Festa em honra à Bem-Aventurada Dulce dos Pobres deste ano é a doação de sangue.

“A gente quer despertar nas pessoas a consciência para a necessidade de servir, de se doar, e colocamos como gesto concreto a doação de sangue. É uma forma simbólica de dizer que, assim como Dulce doou suor, vida e sangue, com a minha doação eu quero doar vida”, explicou o reitor do Santuário, frei Vandeí Santana.

No mês de julho, 544 bolsas de sangue foram coletadas pelo UCT, 20% a menos do ideal que é de 680 doações. A superintende das Obras Sociais Imã Dulce, Maria Rita Ponte, contou que cada doação pode salvar até quatro vidas.

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“Sangue salva vidas. Quando você doa uma bolsa de sangue, você está permitindo que quatro pessoas realizem suas cirurgias, que muitas vezes estão pendentes por falta de sangue. A doação de sangue não doe e é o ato de fazer o bem a quem está precisando”, afirmou a superintendente, que também é sobrinha de Irmã Dulce.

Para doar basta comparecer na sede das OSID, no Largo de Roma, de segunda a sexta-feira, das 7h10 às 11h30 e das 13h às 16h. Podem doar pessoas entre 18 e 67 anos, a partir de 50 kg. Não é preciso estar em jejum.

Turistas e devotos visitam Santuário
No total, 101.483 mil pessoas passaram pelo Santuário e Memorial de Irmã Dulce, no ano passado. Até junho deste ano foram 54 mil visitantes. Pessoas como a filósofa Ana Karla Feitosa, 42, que há 11 anos seguidos viaja de Fortaleza (CE) para Salvador, para participar dos Novenário de Irmã Dulce.

“Devo a ela minha cura. Em 1997, fui atingida por uma bola de tênis no olho esquerdo. Perdi quase a visão total. Na época, eu visitei cinco oftalmologistas, mas nenhum deles resolveu o problema”, contou.

Ela pediu a freira que intercedesse e lhe apresentasse um sinal e, pela última vez, voltou a procurar um médico. “Fui em um oftalmologista que me indicaram e quando entrei no consultório dele fiquei feliz em ver a imagem de uma santa na estante. Achei que era um sinal”, disse Ana Karla.

O médico, assim como os outros, informou que o caso estava perdido e agendou a cirurgia para substituir o olho de Ana Karla por uma estrutura de vidro, mas durante a cirurgia algo mudou.

“O médico não soube explicar o que aconteceu. Ele percebeu que não era preciso substituir meu olho e, o melhor, minha visão foi recuperada. Achei aquilo obra de Irmã Dulce, mas tive certeza quando contei ao médico sobre a santa que vi na estante no primeiro dia da consulta e ele me disse que nunca teve o retrato de santa em sua estante”, contou Ana Karla, emocionada.

O caso foi informado ao Santuário da freira em Salvador e está na lista com outras quase 8 mil ocorrências registradas desde a beatificação de Irmã Dulce em 2010 até fevereiro deste ano. Atualmente, a beata espera a comprovação do segundo milagre para se tornar santa.

Em todo o país, 38 igrejas, capelas e santuários homenageiam Irmã Dulce, sendo que sete deles ficam na Bahia. O filme Irmã Dulce, lançado no ano passado, foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em dez categorias. O resultado será divulgado no dia 1º de setembro.

*Correio da Bahia