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Após perder o marido e dois filhos, idosa percorre mais de 20 km para vender sorvete: ‘É uma terapia’

Por G1

Aposentada trabalha há 7 anos vendendo sorvete nas ruas de Itapetininga (Foto: Francine Galdino | G1)

Todos os dias a idosa Cecília Maria de Jesus Monteiro, de 73 anos, acorda às 6h30, pega um uniforme colorido, seu chapéu branco e um pequeno carrinho de sorvete para percorrer mais de 20 quilômetros vendendo picolé.

Aposentada, a moradora de Itapetininga (SP) garante que encontrou no trabalho uma forma de superar a morte do marido e dos dois filhos. Para ela, percorrer a cidade, seja embaixo de sol ou chuva, é uma terapia.

“Quando estou nas ruas trabalhando não vejo o tempo passar. Eu converso com todo mundo, até com gatos e cachorros na rua. Para mim é uma terapia que me fez tão bem que nem remédio preciso tomar. Não sinto mais dor”, conta.

Cecília afirma que tudo começou quando o marido foi diagnosticado com enfisema pulmonar, em 2008. Para ajudar no tratamento, ela decidiu retornar ao trabalho, já que há um ano estava aposentada do trabalho como merendeira.

“Precisei voltar a trabalhar. Comecei a recolher reciclagem, mas esse trabalho é muito pesado e estava prejudicando minha saúde. Foi então que comecei nas vendas. Primeiro vendia iogurtes congelados e depois comecei a vender sorvete. Se tivesse conhecido a sorveteria antes já teria começado há muito tempo, pois é algo que amo fazer”, diz.

Porém, mesmo após a morte do marido, em 2008, a idosa continuou vendendo picolé.

“Continuei porque me ajuda. Eu acordo, tomo café, um banho, arrumo a casa e vou fazer o mais amo, que é vender sorvete. Para mim é uma terapia. Durante toda a vida o trabalho me ajudou. Ajudou primeiro a lidar com a perda de dois filhos, um de 3 anos e outro de 1 ano e 8 meses em uma enchente, em 1978, agora me ajuda a superar a perda do meu marido também”, diz.

Ainda segundo a sorveteira, o terceiro filho não concorda muito sobre ela andar tanto durante a semana. Mas a aposentada afirma que sempre rebate dizendo que o que faz é além de um simples trabalho.

“Sempre quando me perguntam o motivo de continuar vendendo sorvete eu falo ‘ você quer me ver doente em uma cama?’ e assim, não perguntam mais”, brinca.

Vendas

Cecília garante que seus clientes fiéis ficam na Praça Siqueira Campos, em frente ao Hospital Doutor Léo Orsi Bernardes, antigo Hospital Regional, onde vende em média 100 picolés por dia. Para ela, é uma satisfação ter pessoas que a esperam.

“Além de me fazer bem, com as vendas de sorvete consegui comprar coisas que sempre tive vontade e arrumar minha casa do jeito que queria, coisas que só com a aposentadoria não conseguia”, conclui.

Cecília Maria de Jesus afirma vender cerca de 100 picolés por dia (Foto: Francine Galdino | G1)