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Alagoas lidera ranking de jovens entre 12 e 19 anos mortos no país; Estado é seguido por Bahia e Ceará.

√ćndice de Homic√≠dios na Adolesc√™ncia foi apresentado nesta quarta (28).
Três estados do Nordeste lideram lista.

Ranking foi anunciado em coletiva no Rio (Foto:  Janaína Carvalho/G1)
Ranking foi anunciado em coletiva no Rio (Foto: Janaína Carvalho/G1)

Alagoas √© o estado brasileiro com maior √≠ndice de assassinato de adolescentes, segundo a 5¬™ edi√ß√£o do √ćndice de Homic√≠dios na Adolesc√™ncia (IHA), divulgado em coletiva de imprensa no Rio nesta quarta-feira (28). De acordo com o levantamento, o IHA do Alagoas √© de 8,82 assassinatos para cada mil adolescentes, seguido por Bahia (8,59) e Cear√° (7,74). Os n√ļmeros s√£o relativos a 2012.

O IHA estima o risco de adolescentes de 12 anos a 19 anos serem assassinados antes de completarem seu 19¬ļ anivers√°rio nos munic√≠pios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.¬†Entre as capitais, o ranking √© liderado por Fortaleza, com 9,92, seguida por Macei√≥ (9,37), Salvador (8,32) e Jo√£o Pessoa (6,49).

Entre as regi√Ķes, a Regi√£o Nordeste lidera o ranking com 5,95 e um n√ļmero esperado de assassinatos de adolescentes entre 2013 e 2019 de 16.180. Em seguida, v√™m a Regi√£o Centro-Oeste, com IHA de 3,74 e 3.373 homic√≠dios esperados; Regi√£o Norte, com 3,52 e 3.908 e a Regi√£o Sudeste, que embora tenha um √≠ndice de 2,25, espera 14.323 assassinatos de adolescentes.

Em suas conclus√Ķes, o estudo aponta um crescimento no n√ļmero de homic√≠dios de adolescentes de 12 a 18 anos de idade no Brasil e apresenta um ranking das cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes onde este √≠ndice se encontra mais elevado.

O levantamento foi preparado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presid√™ncia da Rep√ļblica (SDH/PR), pelo Fundo das Na√ß√Ķes Unidas para a Inf√Ęncia (UNICEF), Observat√≥rio de Favelas e Laborat√≥rio de An√°lise da Viol√™ncia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ).

No Brasil estima-se que 42 mil adolescentes morrer√£o assassinados nos munic√≠pios com mais de 100 mil habitantes.¬†“O IHA de 2005 fez uma estimativa muito aproximada para 2012. A estimativa era de 35 mil homic√≠dios e o n√ļmero chegou a cerca de 33 mil. Este tipo de estimativa a gente faz torcendo para errar. A not√≠cia ruim foi que 2012 foi o pior ano dos √ļltimos tempos. Fazendo a compara√ß√£o por sexo, √© 12 vezes mais prov√°vel que um menino seja assassinado que uma menina. √Č tr√™s vezes mais prov√°vel um negro ser assassinado que um menino branco”, ressaltou o professor da UERJ, Ignacio Cano.

Grupo de trabalho
A ministra Ideli Salvatti anunciou a cria√ß√£o de um grupo de trabalho interministerial que ser√° respons√°vel por elaborar o Plano Nacional de Enfrentamento √† Viol√™ncia Letal de Crian√ßas e Adolescentes. O objetivo, segundo a ministra, √© definir estrat√©gias e pol√≠ticas p√ļblicas para reduzir a incid√™ncia de homic√≠dios entre a popula√ß√£o jovem do Brasil.

“Se nada for feito, n√≥s teremos as 42 mil mortes. A proposta do pacto √© uma urg√™ncia. √Č uma a√ß√£o do governo federal na constru√ß√£o de um plano nacional para prevenir as mortes de adolescentes e acabar com esse ciclo de viol√™ncia”, afirmou a ministra, destacando que √© fundamental a integra√ß√£o dos poderes Judici√°rio, Legislativo e Executivo para a realiza√ß√£o desse plano.

Resultados favor√°veis no Sudeste
A redu√ß√£o dos assassinatos na regi√£o Sudeste se deu principalmente pela queda da viol√™ncia nos Estados de S√£o Paulo e Rio de Janeiro, que ficaram com o vig√©simo quinto lugar e d√©cimo s√©timo lugar, respectivamente, no √ćndice de Homic√≠dios de Adolescentes. “N√£o surpreende tanto porque √© uma tend√™ncia que vem acontecendo desde o come√ßo dos anos 2000, sobretudo o estado de S√£o Paulo que teve uma queda significativa e com peso maior. Mas n√≥s temos o Esp√≠rito Santo numa situa√ß√£o cr√≠tica, mas com S√£o Paulo e Rio diminuindo, o Sudeste apresenta resultados favor√°veis”, destacou Cano.

Na capital fluminense, por exemplo, o IHA vem apresentando quedas sucessivas desde 2005, quando o n√ļmero de mortes na cidade do Rio era de 5,52 adolescentes assassinados a cada mil. Em 2006 o n√ļmero caiu para 5,44, em 2007 para 4,58, em 2008 para 3,77, 3,05 no ano de 2009, 3,02 em 2010, 2,40 em 2011, atingindo 2,06 em 2012.

Já em São Paulo, dos 71 municípios com mais de 100 mil habitantes, 10 tiveram índice de 0,00 mortes por cada mil adolescentes e apenas Taboão da Serra teve índice superior a 3,0 assassinatos por cada mil adolescentes, ficando com 3,30.