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Acusado injustamente de crimes, homem é retirado de avião pouco antes de voo: ‘ Denegriram minha imagem’


Por BNews

O técnico em instrumentação industrial João Paulo Oliveira da Silva, 36 anos, afirma ter sido vítima de preconceito no Aeroporto Internacional de Salvador. O caso ocorreu na noite de terça-feira (21), enquanto o soteropolitano tentava embarcar para Curitiba, onde reside e trabalha há 10 anos.

Ao BNews, ele disse que o voo para a capital paranaense estava marcado para as 19h55, porém, pouco depois das 19h, teria sido abordado por um estranho. O homem, trajando terno, começou a fazer perguntas, relacionando João Paulo a uma ocorrência em Ipitanga, no município de Lauro de Freitas.

Após ser abordado e questionar de forma incisiva a intervenção do estranho, João Paulo foi liberado e pôde embarcar. Entretanto, já no interior da aeronave da Azul Linhas Aéreas, foi novamente interpelado pelo estranho, desta vez acompanhado de dois policiais federais. Ele foi retirado da aeronave e conduzido a “um lugar restrito”.

“Está pensando que eu não ia te encontrar”, disse o homem de terno a João Paulo, creditando a ele os crimes de roubo e assassinato. “Durante todo tempo não disse que eu era suspeito, chegou logo me acusando”, afirmou.

Sentindo-se coagido, o técnico e um parente passaram a registrar a situação em vídeos feitos pelo celular. Nas imagens é possível ver a movimentação no saguão do aeroporto. Assista:

João Paulo não conseguiu obter a identificação do homem que o acusava, mas ouviu de testemunhas no saguão que tratava-se de um funcionário da empresa Avianca.

“Denegriram minha imagem, com preconceito, racismo e difamação. Sendo que eu estava dentro da aeronave, os policias federais entraram e as pessoas logo devem ter pensado: ‘É vagabundo, ladrão ou assassino’. Devem ter feito até vídeo e minha imagem rodando por aí”, diz inconformado.

João Paulo isenta a Azul Linhas Aéreas de culpa no ocorrido. A companhia disponibilizou outro horário de embarque. Ele, no entanto, aponta o suposto funcionário da Avianca como o responsável pelo constrangimento e gastos extras ocasionados com a perda do voo.

Procurada pela reportagem, a assessoria do Aeroporto de Salvador direcionou a reponsabilidade pelo caso às companhias envolvidas e à Polícia Federal.

Em nota enviada ao BNews, a Avianca Brasil afirma “ter como um de seus principais pilares o respeito e a promoção da Diversidade e que repudia qualquer forma de discriminação e preconceito”. A empresa garante, ainda, que está apurando internamente o ocorrido.

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da PF em Salvador.

João Paulo segue em Salvador, na casa de parentes, aguardando apuração do caso, que é investigado pela Polícia Civil.